
DIDICO
”...Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol…”
Francis Hime / Chico Buarque
As semelhanças e diferenças entre um dia e outro, uma primavera e outra; ilustra a ideia de transitoriedade e inacabamento dos eventos cotidianos, de nossa natureza. Somos milhões de seres humanos e todos, indubitavelmente todos, são diferentes, são únicos, ninguém vive a vida do outro, neste sentido, cada ser é obra única, natural do evento criativo.
Na música Meu Caro Amigo, Chico Buarque e Francis Hime falam de tempo, do vai e vem das emoções em relação aos acontecimentos diários. O conteúdo de “Um dia chove, outro dia bate sol”, favela e prédio, céu e terra, preto e branco, se revezam em cada volta do parafuso da centrífuga multicultural da atualidade, aqui, como essência, a invenção poética é análoga à criação do ser natural, é orgânica, tem de pulsar, bater ritmado com os sons do planeta, que reverberam nas plantas, bichos, água, terra orquestrando a vida.
São três grupos de desenhos conforme os materiais empregados na combinação e articulação com o gesso acartonado: tecidos, cartão e madeira. Inclusive, o papel empregado são rascunhos, textos, monografias velhas, todo tipo de papel dispensado é lambuzado em cola branca diluída em água e aplicado sobre o suporte, que carrega incrustado em si a moldura. Suporte e pintura são frutos das mesmas ações, uma coisa só, os opostos que se atraem, o yin e Yang da milenar cultura chinesa, o “out” e “in” dos “bits” deste contexto digital, são extremos das tantas dualidades que compõem nosso universo, que é tema desta investida poética.
Poéticologia e poéticonomia, imagem mental e gesto motor, fazem parte do mesmo evento, viver, os procedimentos nutrem-se das experiências com a matéria prima utilizada, os resíduos do gesso.
Por aqui, no moto contínuo do mercado, na rotina das redes de nossas máquinas teleguiantes e televisivas, continuamos a jogar futebol, faça chuva ou sol, um dia após o outro, vamos seguindo, bicando o globo, brincando de bola, tentando fazer o gol.
Hoje, em Bicanga já choveu, fez sol e agora está nublado. Num único dia: terra molhada, aquecida na luz do dia que amanhecera cinza. Paisagens passageiras, transitórias, engendradas pelo eterno retorno, de um tempo circular, natural dos ciclos do cosmos, miscigenado: selvagem, primitivo e único, civilizado, domesticado e reproduzível. Tudo, junto e misturado no espiral dinâmico da cultura contemporânea.
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Um dia Chove outro dia bate sol didico/2018
Restaurante La Dolina
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